Dois livros diferentes e interessantes

18/02/2018 18h12 - Atualizado 18/02/2018 19h33

Olá.

Como estava de férias, dei um super stop aqui nas postagens.

Hoje, retorno para falar sobre dois livros que li. Antes de dividir com vocês minha opinião, segue resenha do site da Cia das Letras sobre o livro “Mulheres de Cinzas”, de Mia Couto, disponível em https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14072:

“Primeiro livro da trilogia As Areias do Imperador, Mulheres de cinzas é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane (ou Gungunhane, como ficou conhecido pelos portugueses), o último dos líderes do Estado de Gaza – segundo maior império no continente comandado por um africano.
Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Ali o militar encontra Imani, uma garota de quinze anos que aprendeu a língua dos europeus e será sua intérprete. Ela pertence à tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão de Ngungunyane. Mas, enquanto um de seus irmãos lutava pela Coroa de Portugal, o outro se unia ao exército dos guerreiros do imperador africano.
O envolvimento entre Germano e Imani passa a ser cada vez maior, malgrado todas as diferenças entre seus mundos. Porém, ela sabe que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.
Ao unir sua prosa lírica característica a uma extensa pesquisa histórica, Mia Couto construiu um romance belo e vívido, narrado alternadamente entre a voz da jovem africana e as cartas escritas pelo sargento português.”

Gostei muito dessa primeira parte , especialmente do contraste mostrado entre as duas culturas: a do branco português e do negro africano, este em sua face tão múltipla quanto as diferentes tribos retratadas na obra: a guerra que existe não é somente entre duas culturas distintas, mas entre povos do mesmo continente. Some-se a isso a discussão visceral sobre o papel da mulher nesse contexto, ela própria travando uma batalha particular num ambiente machista e, por conseguinte, repressor. O primeiro livro deixa clara a forte atração entre Imani e o sargento Germano, mas que não é consumada. Estou louca para ler o segundo volume para descobrir o que vai acontecer com os dois.

 

 

O outro livro foi indicação de meu filho: “O mistério dos cavalos alados”de Megan Shepherd.

Com clara inspiração no livro “O jardim secreto” de Frances Burnett, o que é declarado pela própria autora, o livro conta a história da menina Emmaline, internada em um hospital para crianças com tuberculose, na Inglaterra, no período da Segunda Grande Guerra. Emma enxerga cavalos alados nos espelhos do hospital e, em dado momento, descobre uma égua alada ferida, num jardim onde o acesso era proibido às crianças. O mundo de Emmaline é cinza ( e daí podemos fazer analogia com o mundo triste da guerra e da doença), mas, para salvar esse ser alado, a menina precisará encontrar objetos das cores do arco-íris. Conseguirá dar conta dessa tarefa?

Meu filho adorou o livro, particularmente porque estávamos voltando de uma viagem à Alemanha, e o enredo caiu como uma luva diante de tudo o que ele aprendeu. Como costumo ler os livros que ele lê, resolvi lê-lo também.

Sinceramente, gostei muito mais do Jardim Secreto, se for comparar, mas, se pensarmos, do ponto de vista da protagonista, de todo o seu sofrimento, das perdas que a guerra lhe trouxe, o enredo é realmente tocante e traz uma mensagem e tanto de esperança. Só por isso já vale a leitura!

 

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