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Muito Prazer: Professor Resistência!

 

Hoje em minha página abro espaço para falar sobre um material que, muito embora seja didático, portanto fora da proposta do site, renderia um romance e tanto sobre como um coletivo de professoras de escolas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre consegue transformar o que seria mais um problema em seus cotidianos, já tão complicados, em 33 soluções para facilitar o dia a dia de seus pares.

Eu me sinto bem à vontade de contar a história dessas mulheres, pois a minha, em certa medida, se confunde com a delas, uma vez que estou há, pelo menos, 29 anos na mesma Rede de Ensino e já vi sucessivas administrações e governos entrarem e saírem com propostas incríveis (outras nem tanto) para revolucionar a educação nas classes populares. Acho que, em algum momento, isso aconteceu. Mas, e agora? Como estão os alunos? E como NÓS estamos?

    Solapados por Idebs, Provinhas Brasil e outros tantos instrumentos e números que só fazem medir aquilo que “não fizemos” e “nossa incompetência absoluta” (sim, porque os alunos que atendemos, ao que parece, vêm descontextualizados, pois tudo, absolutamente tudo, em especial seu fracasso, se deve a nós). Ah, e mais um detalhe: não nos esqueçamos de que nossas escolas são inclusivas e que devemos dar conta disso também, porque os monitores previstos por lei para atender ao aluno deficiente muitas vezes sequer aparecem na escola, por inoperância do próprio Poder Público. E “toca” o professor assumir mais uma função para a qual não está preparado. Senão, o “contador de fracassos” estará lá para medir sua ineficiência.

    Bem, ocorre que, em 2013, o MEC lançou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), cuja meta, de acordo com o Portal Aprendiz, era garantir a alfabetização de todas as crianças até os oito anos de idade, ao fim do 3º ano do Ensino Fundamental, visto que o Censo de 2010 revelara que 15,2% das crianças brasileiras em idade escolar não sabiam ler nem escrever. O objetivo desse Pacto seria transpor os limites do analfabetismo funcional, criando condições, por exemplo, para que os alunos fossem além, como interpretar o conteúdo de um texto, tal como depreendemos da leitura no mesmo Portal.

Para tanto, o Governo Federal teria feito um aporte de incentivos financeiros e apoio pedagógico para formar “360 mil professores alfabetizadores até 2015”. Ainda de acordo com o Portal Aprendiz, “mais de 5.300 municípios brasileiros aderiram ao PNAIC”.

A meta foi alcançada?

Tal como vemos na edição de sete de novembro de 2017 da revista Nova Escola, ” números da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) divulgados pelo Ministério  da Educação (MEC) em outubro mostram que houve pouco avanço em leitura, escrita e Matemática entre 2014 e 2016. Para se ter uma ideia: dos mais de 2 milhões de alunos entre 7 e 10 anos que fizeram o exame em 2016, apenas 45,27% obtiveram um  nível de proficiência considerado satisfatório para leitura. Em 2014 eram 43,83%. Esses dados aparecem cinco anos depois de o MEC ter lançado o Pacto de Alfabetização na Idade Certa.(…)”

Ao que tudo indica, lidar com o desafio da alfabetização, hoje, requer muito mais que programas de aperfeiçoamento, disseminados massivamente, vindos de um mesmo centro, muitas vezes desconsiderando peculiaridades regionais, locais, sociais e econômicas, fundamentais nesse processo. Isso sem falar nas novas TDCIs (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação). Em outras palavras: que escola e que alunos temos, com que recursos efetivamente contamos, e que professores somos para lidar com todas essas variáveis?

Já alfabetizei. Há muito tempo. Portanto, não participei das jornadas do PNAIC.

            Porém, ouvi o relato de muitas colegas que tiveram de passar por esse “treinamento”, a maioria já sendo alfabetizadora de longa data. Algumas não viam sentido em participar desses encontros, visto que muito do que lhes era passado já dominavam plenamente. Enfim, não me cabe aqui julgar o que não vi e vivi.

            No entanto, um grupo de professoras decidiu virar o jogo a seu favor: “E por que não construírem elas próprias um material pedagógico derivado das reuniões do PNAIC com aquilo que sabiam fazer de melhor?” Afinal, o PNAIC promovia reuniões de formação continuada para os docentes. ( Sempre defendi que temos entre nós os melhores especialistas e que já está passando da hora de nós mesmas(os) nos organizarmos em grupos de estudos e formações. Valorizemo-nos. Somos ótimas(os) e poderosas (os)!)

            E foi assim que surgiu o livro “33 Boas Ideias para o Ano: ideias, sugestões e materiais para facilitar o planejamento e a prática pedagógica”, organizado por gente como a gente. Fiz questão de prestigiar minhas colegas na sessão de autógrafos, que ocorreu no Espaço Unisinos ( aliás, um luxo de lugar), em Porto Alegre/RS, dia 05 de maio de 2018.

            Senti muito orgulho de minhas colegas. De algumas, sou parceira de longa data de caminhada e muito trabalho, estilo chão de fábrica mesmo. Se há uma característica que nos irmana é a resiliência: somos movidas a desafios. E quando dizem que não fazemos direito nosso trabalho, aí mesmo é que mostramos a que viemos.

            Parabéns pelas 33 ideias. Que se multipliquem pelas escolas daqui e de todo o Brasil!

 

 

Capa do Livro organizado por Luciane Swirsky, Renata Lauenstein, Taiane de Freitas, Lizandreia de Moraes e Liliane Toscani

 

No detalhe, da esquerda para a direita, eu e as autoras Vanessa Castro e Dina Leal

 

Liliane da Silva Toscani, uma das organizadoras do livro

Fontes:

O que é o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Disponível em http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013

A alfabetização no Brasil não avança. O PNAIC falhou?. Disponível em

 

 

 

 

 

HISTÓRIAS DE TAIWAN

 

Já escrevi muito texto acadêmico: artigos, uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado e pequenos textos em coletâneas. Mas nada se compara ao primeiro livro solo. No ano passado publiquei meu primeiro livro. Trata-se de um livro de contos folclóricos de Taiwan, terra natal de meu marido, que veio com 12 anos para o Brasil. Como temos um filho de 11 anos, resolvi fazer esse livro como um registro histórico de elementos da cultura do pai dele e deixar de herança, como um arquivo para as memórias de sua origem. O livro foi lançado na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento literário de minha cidade. Foi um momento inesquecível. Interessados em adquiro-lo é só fazer contato comigo por aqui.

 

 

Convite para a sessão de autógrafos

 

Livro com brinquedo e marca-páginas

 

 

Jogo de contar histórias com personagens do livro.

Autografando na Feira do Livro de Porto Alegre- 2016